Troy e eu

Troy (tem que enrolar a língua para pronunciar) era o nome do nosso cão. Verônica, nossa filha, que o batizou com esse nome hollywoodiano. Troy era um cão de médio porte, com cara de meio pastor alemão, com corpo de quase fila, como dizem, “genérico”, um cão muito bonito.
Queria sempre estar perto da gente. Acompanhava todos os meus passos pelo quintal, se paro, ele para, se olho, ele olha, se sorrio, ele já balança o rabo e pede um carinho. Nisso se parece muito com o cão Hachiko do filme “Sempre ao seu lado”, é como uma sombra da gente. Troy era um cão que se podia chamar de fiel. Mas também se assemelhava ao personagem canino do filme “Marley e eu”, no quesito peraltice, é claro. Mas isso dava pra aguentar (?), afinal a peraltice do Troy funcionava apenas 24 horas por dia!
Por vezes, olhava nos seus olhos, me enganava pensando ver compreensão, ternura, amor, embora fosse a cara certa de um menino pidão querendo comida.
Troy estava sempre alegre, não importava se eu não estava, ele estava sempre disposto a brincar. Babão e melequento, como todo cão, queria sempre demonstrar alegria lambendo (pra mim bastaria o rabinho balançando, oras!). Troy era simples, se contentava com pouco (exceto comida). Pegava uma garrafa de pet e brincava de bola o dia todo (às vezes pega uma escova de limpeza e destruía brincando o dia todo, por isso o batizei de Des-Troy). Ás vezes pegava um rato e brincava também (aaargh!)
Troy sabia quando fazia algo errado… e fugia para não levar bronca. Reconhecia o erro apenas no meu olhar de desaprovação ou no meu tom de voz. Fugia do banho também, preferindo o fedor terrível de… cão sem tomar banho. Era também um cão bravo e atirado, defensor do território, ao ponto de passar dia e noite, noite e dia, latindo para morcegos, passarinhos, cães dos vizinhos, pombos, carros, motos, pessoas, sombras, reflexos do retrovisor, enfim tudo o que se movia na terra ou no céu (pobres ouvidos dos vizinhos!).
Troy nos ensinou algumas lições preciosas sobre a nossa relação com Deus.
Lição 1. O Senhor está sempre ao nosso lado, Ele acampa a sua divina tenda ao redor daqueles que o temem e os livra (Salmos 34:7). A promessa da presença constante de Cristo em nossa vida diária, deve nos levar ao santo temor, ao santo descanso e ao santo trabalho em sua obra (Mateus 28.20).
Lição 2. Nossa alegria não depende de circunstância, não depende de nada nem de ninguém para ser alegria em Cristo. Leia-se “alegria” como um estado de constante confiança no Senhor, resultando em contentamento e tranquilidade interior inabalável, mesmo que dos olhos rolem lágrimas de aflição. É porque a alegria é NO Senhor.
Lição 3. Simplicidade e pureza são duas coisas que devemos a Cristo (2 Co 11:3). Às vezes buscamos tanta mirabolância, pirotecnia e sofisticação, mas servir ao Senhor requer tão somente simplicidade e pureza, pois a falta destas permite o engano da Serpente e a corrupção da mente. A Bíblia ainda nos diz: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Tm 6:8).
Lição 4. Nossa consciência sempre nos acusa quando fazemos algo errado. Porém, o que fazemos após o arrependimento pelo pecado, determinará se somos realmente do Senhor. Se sinceramente reconhecemos o erro e buscamos o perdão, acharemos misericórdia (1 Jo 1.8; 2.9). Se fugimos do banho do perdão e do deixar a prática pecaminosa, permaneceremos com a sujeira e o cheiro de morte do pecado (2 Co 2:16).
Lição 5. O Senhor Deus todo poderoso é o nosso defensor e protetor (Sl 91:2,9). De dia e de noite, sem nunca precisar dormir, está sempre trabalhando para nos proteger contra as ciladas do Inimigo, pois estamos nas suas divinas mãos (Sl 121:4). “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31)
Lição 6. Na nossa relação com Deus, a fidelidade dEle é inabalável. Ainda que nós sejamos infiéis, o Senhor permanece fiel, pois não pode ser falso consigo mesmo, o que equivaleria a negar-se a si mesmo (2 Tm 2:13).
Troy era criação de Deus. E a Bíblia diz que Deus se revela através das coisas que foram criadas. Por vezes, olhava nos olhos de Troy, me surpreendia fazendo orações silenciosas: agradecendo a Deus pela sua divina criação, por ter me falado todos os dias através desse cão peralta e pedindo ao Senhor que jamais me torne insensível à sua divina voz. Que assim seja!

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