Café & Literatura

“CAFÉ & LITERATURA”


É uma antologia que reúne poemas inspiradores, contos fascinantes e crônicas surpreendentes, de vários autores do Brasil, publicado pela editora Clube de Autores, em versão e-book e impresso.

Estas são as minhas poesias, contos e crônicas que foram publicadas nessa antologia. Poemas: “Pensar”, Completude”, “Inexorável passar dos instantes”. Crônicas: “Hipocrisia”, “O terrível Malamém”. Contos: “O menino reprocessado”, “Duelo”, “Volp”.

Venda somente no site do Clube de Autores, por enquanto. Breve estará disponível na Amazon, Editora Cultura, Estante Virtual, Submarino, Americanas, Mercado Livre.

Adquira o seu em versão impressa ou e-book no link da editora Clube de Autores.

https://clubedeautores.com.br/livro/cafe-literatura

Cinzas

Dona Judith guardava as cinzas do marido numa panela de barro na prateleira da cozinha. Já caducava mas dizia que eram só manias. Coisa de vovó já caducando mesmo. Amava muito o falecido marido e queria ‘tê-lo” sempre por perto. “Era um velho de ouro” – dizia com saudades. Tiveram muitos e felizes anos de convivência, teimosias e, depois, caduquices.

Aqui e ali D. Judith perdia a memória e as coisas, se confundia com as coisas e as palavras, trocava as bolas e as coisas. Vivia trocando as coisas de lugar e não sabia mais o lugar que trocava. Era a idade ou porque D. Judith tinha fama de vó meio maluquinha. Certo dia, saiu de casa com meias de cores diferentes. De outra feita, a blusa estava com a frente para as costas. E em outra, trocou o açúcar refinado por sal e serviu um bolo extra salgado. Era desse jeito. Mas naquele domingo era uma ocasião especial. Os filhos e netos vieram visitá-la. Os netinhos adoravam a casa da vó porque casa de vó pode fazer tudo. Ou quase tudo. Serviu um peixe frito na farinha de rosca delicioso. Todos gostaram. Almoço em família é tudo de bom. Fim do domingo.

Vó Judith volta a ficar sozinha e vai arrumar a cozinha. Onde estavam as cinzas do querido marido? O pote estava quase vazio!  Vó Judith medita um pouco e tira uma conclusão. Ficou encucada. Teria usado as cinzas do marido no lugar da farinha de rosca?

D. Judith era assim. Trocava as coisas.

Susto

Velório da vó Bia. Tristeza. Flores. Homenagens. Choro. Pedrinho, com a mão na borda do caixão, lembra com tristeza das brincadeiras da vó Bia. As piadas antigas e sem graça que causavam riso porque não tinham graça. As brincadeiras antigas que fazia questão de ensinar aos netos. Até puxava para fora do sofá aqueles que não queriam brincar. As imitações dos parentes, cada arremedo gostoso que dava muitas gargalhadas. As histórias de cemitério que contava nas noites que faltava energia elétrica, deixava-nos de cabelo em pé e ainda concluía: “foi tudo verdade mermo!”. As lembranças iam e vinham na cabeça do menino, imerso no choque da morte e do ambiente solene.

Vó Bia era meio enigmática. Dizia que se comunicava com o céu. De vez em quando ficava falando sozinha olhando ao céu. Quando lhe perguntavam sobre o que falava, dizia que “estava acertando umas coisas”. Ninguém entendia.

Agora, no caixão, parecia serena e até sorridente. Um rosto em profunda paz. Uma lágrima teimava em escorrer dos olhos do menino. A vó era muito amada.

Súbito, Pedrinho vê a vó mexer a mão rapidamente e tocar na sua. Susto. Um passo trás. Tempo de suspense e coração sobressaltado. Olha em volta. Ninguém notou, só ele.  Refaz-se. Aproxima-se lentamente do caixão. O corpo estava inerte. Sem movimentos. Teria sido impressão?

Lembrou que vó Bia havia lhe dito que “não morrerei, apenas irei dormir, meu neto querido”. No entanto, o corpo jazia imóvel e sem vida.

O que viu foi uma impressão das suas lembranças tão vivas? Ou a mão da vó realmente… Não queria pensar nisso.

O coração do menino começa a acalmar e bater de modo normal.

Pedrinho levaria a vó Bia no coração e a aquela dúvida do velório para toda a vida.

*ATENÇÃO: esta obra é protegida pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/989) e foi registrada. É permitida a publicação em sites e blogs desde que citado o autor e a fonte com link. Para ser publicada em livros e e-book pagos, envie um e-mail para aldairars60@gmail.com para poder receber a autorização gratuita para a publicação.

**As fotos foram retiradas do Google. Se você é o dono de alguma delas, entre em contato, para que possamos dar os devidos créditos.

Incidente processual

Aconteceu há alguns anos atrás. Era época do processo físico ainda e o processo eletrônico ainda engatinhava. O fórum fervilhava de poeira e… baratas. Pilhas e pilhas de processos se amontoavam nas mesas, do escrivão ao juiz. O ruído do carimbo de “Folhas” ecoava em batidas monótonas nas folhas a serem numeradas. A morosidade era o tom da Justiça. Despachos repetitivos e amarelados eram entranhados nos processos. A Justiça era de papel e burocrática.


O Promotor acha uma barata esmagada dentro de um processo. O inseto estava inerte, seco, grudado, nojenta como toda barata. O Promotor, vendo o inseto repugnante, escreve um despacho indignado ao juiz alertando sobre a insalubridade do fórum, sobre o significado filosófico da barata e, por fim, sobre a barata esmagada como um incidente processual que atenta contra a dignidade do Poder Judiciário. Não era possível que tenha recebido um processo naquelas condições. Não era possível que o fórum estivesse naquelas condições. Isso poderia ocasionar doenças aos próprios servidores, visto que a repugnante criatura poderia ser portadora de patógenos que deixavam em perigo a saúde humana. Antes de tudo era uma situação de saúde pública, uma afronta a dignidade humana, uma vergonha ao judiciário e até um atentado contra a ordem pública do país e a dignidade das pessoas. Situação digna de ser mencionada nas cortes internacionais, visto que o inseto referido era cosmopolita e situação semelhante poderia estar ocorrendo no mundo inteiro.


Claro que o Promotor usou mais outras palavras do juridiquês para dizer que a barata era, data vênia, uma “excrecência” processual inaceitável. E enviou o despacho-desabafo ao juiz.


O juiz leu atentamente e com respeito o despacho, e escreveu uma decisão concisa.
“O MM juiz Fulano de Tal, no uso de suas atribuições e etc., decide:
Desentranhe-se a barata do processo.
Publique-se. Registre-se. Cumpra-se.”

*ATENÇÃO: esta obra é protegida pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/989) e foi registrada. É permitida a publicação em sites e blogs desde que citado o autor e a fonte com link. Para ser publicada em livros e e-book pagos, envie um e-mail para aldairars60@gmail.com para poder receber a autorização gratuita para a publicação.

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“Canja de galinha para alma”

A OBRA
Canja de galinha para a alma – histórias para aquecer o coração pelos próximos 20 anos” continua atual há 20 anos. Foram inicialmente 101 histórias que mudaram o mundo. Na época
de sua 1ª edição, Canja de galinha para a alma se tornou um clássico por sua capacidade de
tocar o coração dos leitores, mesmo depois de ter sido rejeitado por 144 editoras. Não é à toa que revolucionou o gênero da autoajuda e inspirou uma geração inteira a buscar sempre o melhor de si. Agora, mais de vinte anos depois, o otimismo é ainda mais necessário. Amar e ser feliz são atitudes poderosas nos dias atuais, e as histórias reais de boas ações contadas nestas páginas podem ser o que precisamos para fazer a diferença em nossa sociedade. Os leitores terão a chance de descobrir (ou redescobrir) relatos ímpares de atos de bondade, além de vinte histórias inéditas, algumas escritas por Deepak Chopra, don Miguel Ruiz e dr. Oz, que emocionam ate os mais incrédulos. Acima de tudo, Canja de galinha para a alma é capaz de transformar vidas. São raros os livros que inspiram pessoas à empatia e à elevação de seu potencial, que ajudam a superar desafios e a abraçar o mundo, mesmo sabendo que ele necessita de mudanças.

OS AUTORES:
JACK CANFIELD é o coautor e co-criador da série Canja de galinha para a alma, que inclui quarenta best-sellers do The New York Times, e coautor de Os princípios do sucesso
MARK VICTOR HANSEN é o coautor e co-criador da série Canja de galinha para a alma. Palestrante motivacional, também é coautor de Cracking the Millionaire Code.
AMY NEWMARK é publisher e foi a primeira editora da série Canja de galinha para a alma.

A EDIÇÃO:
Lançado pela Editora Harper Collins, 367 páginas, ano 2020. Edição de 20 anos.

Frases para quem ama livros

1 – É claro que meus filhos terão computadores, mas antes terão livros.
Bill Gates

2 – Um país se faz com homens e livros.
Monteiro Lobato

3 – A leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados.
René Descartes

4 – O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler.
Mark Twain

5 – Com a liberdade, livros, flores e a lua, quem poderia não ser feliz?
Oscar Wilde

6 – Os livros podem ser divididos em dois grupos: aqueles do momento e aqueles de sempre.
John Ruskin

7 – Em ciência leia sempre os livros mais novos. Em literatura, os mais velhos.
Millôr Fernandes

8 – Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.
Mario Quintana

9 – O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
Mario Quintana

10 – Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.
Jorge Luis Borges

11 – Bendito aquele que semeia livros e faz o povo pensar.
Castro Alves

12 – De todos os que preenchem nossa solidão, são os livros os mais anárquicos, os mais instigantes. Leia, e seu silêncio ganhará voz.
Martha Medeiros

13 – Queremos livros que nos afetem como um desastre. Um livro deve ser como um machado diante de um mar congelado em nós.
Franz Kafka

14 – Os livros são o tesouro precioso do mundo e a digna herança das gerações e nações.
Henry David Thoreau

15 – Apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem.Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que lê-lo?
Franz Kafka 

16 – Livros dão alma ao universo, asas para a mente, voo para a imaginação, e vida a tudo.
Platão

Fonte: http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2018/09/16-frases-incriveis-para-quem-ama-livros.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+RevistaConexoLiteratura+(Revista+Conex%C3%A3o+Literatura)&m=1

Ladrões

(microconto)

Os culpados estavam crucificados ao lado do inocente.

“Não é tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também!” – vociferava o ladrão, crucificado ao lado do agitador. E houve desespero.

“Senhor, lembra-te de mim, quando vieres no Teu reino!” – dizia o ex-ladrão crucificado ao lado do Salvador. E houve paz.

Desolação

(microconto)

DESOLAÇÃO
As duas comadres conversavam. Vislumbram, desoladas, o Pantanal queimando.
A fumaça da dor era intensa. A morte se espalhava em faíscas. Destruição total.
– Coisa de humano, né comadre? – constatava triste a cotia.
– Sim, coisa de humano! – respondeu a capivara.

7 sete frases incríveis de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa foi um poeta, dramaturgo, filósofo, ensaísta, tradutor, publicitário, inventor, empresário, astrólogo, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Pessoa é o mais universal poeta português.

Suas frases:

1 – A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

2 – Para viajar basta existir.
Fernando Pessoa

3 – O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Fernando Pessoa

4 – Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa

5 – Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Fernando Pessoa

6 – Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.
Fernando Pessoa

7 – A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta.
Fernando Pessoa