Nem só de pão…

A casa é paupérrima. Os tempos são difíceis. Não há trabalho, ainda mais para uma viúva que só sabe cuidar de casa.

A mulher olha para o filho. O menino franzino reclama da dor na barriga. Josué é o seu nome. Está com fome. A mãe submerge em pensamentos. Lembra a fartura da casa quando seu marido ainda vivia. Olha para o menino e deixa rolar uma lágrima no olhar agora distante, fixo no infinito.

“É preciso fazer render a comida…”, “peixe salgado e pão seco…” – pensa. Põe a comida num saco. Instrui o menino e o manda vender na cidade. Os tempos estão difíceis para todos.

Josué sai cambaleante na direção da cidade. Falta-lhe a força. A barriga dói de novo, mas ele não pode comer. “É preciso fazer render a comida”, essa foi a ordem da mãe.

Numa encosta próxima, encontra uma multidão que fervilha assentada no sol escaldante. Josué quer saber de que se trata. Pergunta a um e outro, mas houve respostas que não entende direito. Nesse instante uns homens o abordam e pedem sua sacola preciosa. Ele reluta, “é preciso fazer render a comida…”, foi a recomendação da mãe. Os homens garantem que devolverão a comida e o convencem. Estranhamente o menino crê contra a evidência da dor de barriga e entrega a sacola. A seguir presencia o impossível. Uma matemática absurda e divina. Na sacola havia cinco pães e dois peixinhos. Vê cinco mil pessoas sendo alimentadas com a sua pouca comida da sacolinha. O menino come e agora ouve atentamente o Autor do milagre. O peixe era muito bom, o pão não estava mais seco.

Forças renovadas, corre rapidamente para a casa da mãe. Afoito, atropela as palavras, atrapalha-se no cansaço. Entrega para a mãe a sacola cheia de comida. Refaz-se. Conta, chora, sorri, impressiona, testemunha.

Segura a mão da mãe e a conduz em direção àquele que fez o milagre: o  profeta Nazareno.

A comida rendeu. Sua fome do corpo estava saciada. Sua fome da alma também.

(ATENÇÃO: esta obra é protegida ela Lei de Direitos Autorais e foi registrada. É permitida a publicação em sites e blogs desde que citado o autor e a fonte com link. Para publicações em livros e e-book pagos, envie um e-mail para aldairars60@gmail.com para receber a autorização gratuita).

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