A viúva de Sarepta

Tudo começou quando eu estava apanhando lenha em frente ao portão da cidade. Ia preparar a última comida que tinha e depois ia esperar a morte pela fome, eu e meu filhinho. Estava muito triste e meditava na tragédia da seca que se abateu sobre o povo. Pensava: “Será que isso vai acabar? Como o Deus Altíssimo permite isso?” Meditava sem entender.
Nesse dia, um homem se aproxima de mim. Vestia roupas de peles, estava cansado, mas seu semblante era firme e decidido. Tinha o rosto de um santo homem de Deus. Seria um profeta?
Ele se aproxima e me diz: “Traze-me uma vasilha de água para eu beber”. Como sempre fui gentil e hospitaleira com os viajantes, fui pegar a água. O homem me chama de novo e diz: “Traze-me também um pouco de pão”. “Aí já é demais” – pensei – “água tudo bem, tem pouca por causa da seca, mas dá pra dividir. Mas a comida, a comida é pouca para dividir.”
Então eu disse ao homem: “Tão certo como vive o Senhor, teu Deus, não tenho mais pão. Há somente um punhado de farinha de trigo numa tigela e um pouco de azeite num jarro. Estou aqui catando uns gravetos para preparar esse resto de comida para mim e para o meu filho. Vamos comer e depois disso morreremos de fome.”
Estava envergonhada. Disse isso para sensibilizar o homem. Eu não podia dividir minha última comida, que mal dava para mim e meu filho. Mas as palavras do homem me surpreenderam. Tranquilizando-me, disse: “Não se preocupe! Vai preparar a tua comida, mas primeiro prepara um pãozinho com a farinha que tens e traga-o para mim. Depois, prepara o resto para ti e teu filho. Pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Não acabará a farinha da sua tigela, nem faltará azeite no seu jarro até o dia em que eu, o Senhor, fizer chover sobre a terra’ ”.
Seria possível? Seria possível que depois de viúva e quase morta de fome, o Senhor se lembraria de mim? Depois de anos de solidão, humilhação e penúria, o Senhor voltaria seu rosto para mim? Fui, e preparei como o homem de Deus, Elias, tinha dito (Elias era o seu nome). E nós comemos por muitos dias, pois um milagre aconteceu em minha casa! Como o Senhor Deus havia prometido, não faltou farinha na tigela e nem azeite no jarro. Eu tirava farinha da tigela e aparecia mais farinha, eu tirava o azeite do jarro e aparecia mais azeite. Um milagre em minha casa! O Senhor lembrou-se de mim!
Mas a alegria me durou pouco, pois meu filho, meu único filhinho, ficou doente e morreu. Oh! Que tristeza! Então eu disse ao profeta Elias: “Homem de Deus, o que o senhor tem contra mim? Será que o senhor veio aqui para fazer com que Deus lembrasse dos meus pecados e assim me castigasse com a morte do meu filho?”
O homem de Deus não me respondeu, também estava triste. Ele pegou o meu filhinho nos braços, levou ao quarto de cima da minha casa e começou a clamar em alta voz ao Deus Altíssimo: “Ó Senhor, meu Deus,” – orava ele – “por que fizeste esta coisa tão terrível para esta viúva? Ela me hospedou, e agora tu mataste o filho dela!” E clamava: “Ó Senhor, meu Deus, faze com que esta criança viva de novo!”
Depois… silêncio… o homem de Deus parou de orar. Imaginei: “Deus não o atendeu! Meu filho continua morto”. Foi então que ouvi passos na escada e vi o profeta descendo com o meu filho… vivo! Vivoo! Vivooo!
Eu estava tão alegre com aquele milagre que falei ao profeta de Deus: “Agora eu sei que o senhor é um homem de Deus e que Deus realmente fala por meio do senhor!”
Então clamei em alta voz: “Graças de dou, Senhor Deus, por visitar a sua serva, por preservar a minha vida, por trazer meu filho de volta, e por ter enviado o profeta Elias para cumprir a tua vontade no meio do teu povo Israel!”
A tristeza foi-se, a fome acabou, um raio de luz iluminava minh’alma.

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