Duelo

O velho cristão sábio morava no centro da cidadezinha pacata e isolada. Era muito procurado por viajantes que vinham ouvir seus conselhos. Ele tinha um ajudante que, além de caolho, não era sábio como seu senhor. Além de ter pavio curto, tinha uma boca terrível, descarregava impropérios ao ser irritado. Quando viajantes passavam por ali, era costume da região um “duelo de sabedoria” cristã como condição de hospedagem na cidade. Se vencesse o duelo, o viajante era acolhido pela comunidade. Não se sabia ao certo a origem dessa estranha tradição do duelo.

Certo dia, um viajante entra na cidade a procura do sábio cristão. Acha-o apressado na pracinha e declara a sua intenção de hospedar-se, sugerindo o tradicional duelo. O sábio cristão, já ocupado numa missão de emergência, o encaminha ao seu ajudante caolho, mas recomenda que o duelo se dê em silêncio, apenas com gestos. Numa tentativa de não permitir que o seu ajudante falasse.

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Algum tempo depois, sábio e viajante se reencontram: Estou impressionado com a sabedoria do seu ajudante! Eu levantei um dedo, simbolizando “Cristo”. Ele levantou dois dedos, simbolizando “Cristo e sua Palavra”. Eu levantei três dedos, simbolizando “Cristo, sua Palavra e seus discípulos”. E ele levantou a mão fechada, simbolizando que “os três são unidos, são como uma coisa só”. Impressionante! Que sabedoria!

E o  viajante foi embora, enquanto o sábio foi ao encontro do ajudante. O sábio pergunta como foi o duelo. Indignado, o ajudante vocifera:Esse viajante é muito mal educado, Mestre. Disse-me que o duelo seria sem palavras. Daí levantou um dedo, caçoando do meu único olho. Que ofensa!  Eu me contive e levantei dois dedos, parabenizando-o porque ele tem dois olhos. Ele levantou três dedos, significando de nós dois tínhamos três olhos. Aí não aguentei, Mestre. Levantei a mão fechada ameaçando dar-lhe um soco na fuça. E ele foi embora com medo. Que homem indelicado, sábio mestre!

O sábio cristão apenas sorriu.

(ATENÇÃO: esta obra é protegida ela Lei de Direitos Autorais e foi registrada. É permitida a publicação em sites e blogs desde que citado o autor e a fonte com link. Para publicações em livros e e-book pagos, envie um e-mail para aldairars60@gmail.com para receber a autorização gratuita).

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