Deus é humor

Em nossas igrejas, com frequência confundimos sisudez com seriedade, quietude com reverência, silêncio com respeito, pouco humor com santidade, austeridade com espiritualidade. Essa confusão vem, em primeiro lugar, como herança do catolicismo medieval que escondia livros antigos de comédias “proibidos” pela igreja e que endeusa pessoas sisudas colocando-as acima das demais em “espiritualidade”, poder e posses. Em segundo lugar, vem como consequência de um modo de ser muito sério e severo dos primeiros missionários enviados ao Brasil. E em terceiro lugar, porque quase tudo no Brasil está ligado ao pecado, é alegre e festivo como, por exemplo, o carnaval, as festas juninas, as bebedeiras.  

Por isso ainda olhamos para pastores, supostos “bispos” e até “apóstolos” e achamos que devem ser pessoas ultra sérias e super austeras para serem espirituais (e eles também acham isso). Pelo menos temos como aquietar nossas crianças (“fica quieto senão vou chamar o pastor viu?!”).

Não é assim que a Bíblia mostra o Deus da graça e o Cristo do contentamento. Em Eclesiastes 3.1,4 diz que nossa vida deve ter até um tempo reservado para o propósito da alegria e do riso. Em João 16.20 Jesus diz que aquele que o conhece pode até sofrer “mas a vossa tristeza se converterá em alegria”. Em João 16.22, Ele diz que com a sua presença o nosso “coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar”. Em João 16:24, Jesus completa o seu ensino da alegria dizendo que o que pedirmos em seu nome, receberemos, “para que a vossa alegria seja completa.”

Até admitimos essa “alegria santa”, mas às vezes rechaçamos o bom humor, reputando-o por irreverente e pecaminoso. Claro que o bom humor deve ter dia e tema lícitos biblicamente.

O humor foi criado por Deus. Basta uma boa olhada na criação divina e veremos uma infinidade de animais engraçados (e humanos também). Em I Reis 18.27, o profeta Elias zomba dos 400 profetas do falso deus Baal: “Clamai em altas vozes, porque ele é deus; pode ser que esteja meditando, ou atendendo a necessidades, ou de viagem, ou a dormir…”. Este humor foi inspirado por Deus. Deus estava rindo dos falsos profetas. 

Observamos o humor divino também na história. Apenas para ilustrar: o famoso pensador francês Voltaire (1694-1778), ferrenho inimigo do cristianismo, “profetizou” que em 100 anos a Bíblia desapareceria. Cem anos depois, Voltaire já não existia, mas a sua casa estava abarrotada de Bíblias, pois ela havia se tornada a 1ª sede das Sociedades Bíblicas Unidas. Que bom humor histórico maravilhoso!

Além disso, hoje temos a comprovação científica do que a Bíblia já diz há séculos sobre o bom humor, rir faz bem para o corpo e para a alma assim como a amargura faz o mal para a mente e o corpo: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate” (Provérbios 15:13)  e “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Provérbios 17:22).

  Se a nossa vida é a expressão da nossa relação com Deus, então quando expressamos a alegria pelo sorrir e pelo bom humor sadio estamos de fato testemunhando que a vida com Cristo vale a pena ser vivida, pois nos dá uma alegria que “ninguém poderá tirar”. 

Para Deus, rir é coisa muito séria.

“Tudo tem o seu tempo determinado (…) tempo de rir (…) tempo de saltar de alegria.” (Ec 3.1,4)

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